Escrevemos este artigo em plena ocorrência do covid-19 no Brasil e no mundo todo. Milhões de pessoas em quarentena, milhões de desempregados e, mais triste, milhares de mortos até o momento. Mas no meio disto tudo, as pessoas continuam recebendo seu alimento. Caminhões correndo pelas estradas, carregando arroz, farinhas, feijão, soja, milho, leite e tudo mais que necessitamos para nos manter nutridos, tudo produzido pelos homens do campo.

E aí, dando uma olhada para traz, alguns 30, 40 anos, vemos que o Brasil passou de um importador de alimentos, de um país sem suficiência alimentar, para um exportador de alimentos, mas mantendo sua segurança alimentar, suas prateleiras cheias. E isto foi possível por diversos fatores, mas dois que me parecem os mais destacados:

  1.  A geração de novas tecnologias que incrementaram a produtividade, fazendo com que a produção de alimentos crescesse em taxas mais elevadas que a incorporação de novas áreas e,
  2.  A plena adesão do agricultor brasileiro às novas tecnologias geradas pela ciência.

Daí se vê o papel primordial da geração de tecnologias para a produção de alimentos, crescendo para suprir a necessidade nutricional de mais de sete bilhões de pessoas em todo o mundo. Somente o investimento maciço e bem gerido de dinheiro em ciência e tecnologia pode proporcionar tal feito. A formação de pessoal capacitado, laboratórios adequadamente equipados e uma política de C&T bem direcionada, ouvindo a necessidade do homem do campo, pode gerar conhecimento científico que vai desaguar nas tecnologias que virão a ser aplicadas nas lavouras nos mais recônditos lugares do Brasil. E, modernamente, tudo levando em conta a sustentabilidade, uma busca constante de equilíbrio entre agricultura, pecuária e meio ambiente.

O exemplo da fixação biológica do nitrogênio – FBN, é emblemático. O conhecimento gerou a tecnologia de produção dos inoculantes à base de bactérias fixadoras do nitrogênio, as indústrias desenvolveram a tecnologia de produção e uso e os agricultores aderiram plenamente ao uso do insumo, vindo a dispensar o emprego de fertilizantes nitrogenados na cultura da soja e caminhando para o mesmo em feijão e outras culturas.

Os conhecimentos foram gerados nos laboratórios das universidades, dos institutos de pesquisa e da Embrapa. Através de pesquisas conjuntas entre empresa privada e entidades oficiais, uma tendência que se acentua cada vez mais e que abre promissores horizontes, o conhecimento desenvolvido e aplicado em conjunto, de maneira sinérgica, abrevia o tempo de lançamento de novos produtos e atinge o agricultor de forma mais eficiente, levando ao incremento da produção de alimentos.

No tema com o qual iniciamos este texto, também sabemos que a atual pandemia, assim como ocorreu com a varíola, com a febre amarela, com a paralisia infantil e outras doenças, só será “domada” através dos conhecimentos gerados pela ciência, através de pesquisadores em laboratórios e profissionais da saúde nos hospitais.

Somente com a aplicação de recursos substanciais em pesquisa e desenvolvimento, uma gestão eficiente e uma valorização profissional, o mundo poderá enfrentar os atuais desafios, sejam eles na área agrícola, na saúde e na conservação do ambiente.