A inoculação da soja no Brasil já se constitui em uma prática agrícola reconhecida mundialmente. Mais de 30 milhões de hectares de soja são cultivadas com um mínimo de fertilizantes nitrogenados. Atualmente a prática da inoculação se estende também para a cultura do feijoeiro, com resultados indicadores de que em breve poderemos chegar ao mesmo estágio da soja.

Mas, fruto de pesquisas da Embrapa e de universidades, aliadas à capacidade das empresas brasileiras de inoculantes, em 2009 foi lançado o inoculante para gramíneas, inicialmente para milho, trigo e arroz e hoje se estendendo para outras gramíneas. Em vista dos resultados extremamente relevantes no aumento da produtividade nestas culturas, o novo inoculante cresceu rapidamente no mercado. Posteriormente verificou-se que o inoculante para gramíneas também apresenta resultados na soja e no feijão, quando utilizado em conjunto com o inoculante específico para estas culturas.

Mas voltando ao caso do milho, os efeitos do inoculante à base da bactéria Azospirillum apresentam um efeito diverso dos inoculantes para leguminosas. Enquanto estes fixam grandes quantidades de nitrogênio, transferindo-o para a planta, a bactéria Azospirillum fixa quantidades muito menores, embora possam ser significativas no caso de cultivos de baixa tecnologia e complementares no caso daquelas que almejam maiores níveis de produtividade.

Mas além da fixação do nitrogênio, o inoculante apresenta um efeito altamente significativo no aumento do enraizamento. Não só no tamanho das raízes, mas no número de pelos radiculares, justamente a parte da raiz responsável pela absorção de água e nutrientes.

Pela produção de ácido indol acético (AIA) e de outras substâncias de cunho hormonal, as bactérias provocam um aumento radicular que vai se refletir no mais rápido e maior crescimento das plantas. Em condições de stress hídrico o efeito da bactéria aparece ainda mais, pois a maior área de solo explorada por um sistema radicular robusto reflete-se em uma maior absorção de água e nutrientes, levando a cultura a resistir melhor a condições moderadas de seca. Isto está comprovado por diversos trabalhos de pesquisa e por muitas observações em condições de lavoura: as plantas inoculadas com Azospirillum resistem melhor a seca, causando menos perdas na produtividade.

O uso de bactérias promotoras de crescimento, como no caso do Azospirillum, é uma tendência mundial, pois cada vez se reconhece mais, nos meios científicos e agrícolas, o papel preponderante da microbiologia na qualidade do solo. Um solo saudável, com equilíbrio entre seus fatores físicos, químicos e biológicos é fator decisivo para uma agricultura produtiva, rentável e com durabilidade durante os anos de sucessivos cultivos.

O Brasil vem dando exemplos ao mundo de como utilizar microrganismos nas culturas de grande porte através do uso de inoculantes, sendo líder no uso destes insumos biológicos.

O inoculante para gramíneas pode ser utilizado de diferentes forma: na tradicional, no tratamento de sementes no momento do plantio; no sulco de plantio, utilizando equipamentos especialmente desenvolvidos para tal finalidade; em pulverização foliar, pois os hormônios gerados durante a produção do inoculante penetram nas folhas e produzem seus efeitos, bem como também ocorre a penetração das bactérias que vão continuar seu efeito benéfico no interior das plantas.

Sempre temos que levar em conta que este inoculante também é composto de organismos vivos, que necessitam ser protegidos contra condições extremas de temperatura e baixa umidade. A exposição ao sol e a solos secos causa elevada mortalidade, o que exige cuidados especiais em sua utilização, o que é norma para qualquer produto, biológico ou químico, cada um com sua especificidade.

As empresas associadas à ANPII possuem uma ampla lista de inoculantes à base de Azospirillum de alta qualidade, tanto líquido como em pó, com cepas da bactéria selecionadas por órgãos de pesquisa, com comprovados resultados no aumento da produtividade.