A aderência do agricultor brasileiro às novas boas práticas da agricultura já é um fato conhecido, e celebrado, mundialmente. Seguidamente estamos vendo exemplos práticos da veracidade desta afirmativa, e esta disposição em utilizar novas ferramentas é uma das razões do sucesso do agronegócio brasileiro.

No caso particular da fixação biológica do nitrogênio, esta verdade é fartamente confirmada. O aumento constante no uso dos inoculantes é uma prova de utilização das modernas tecnologias biológicas no aumento da produtividade e rentabilidade por parte dos agricultores.

Em pesquisas realizadas nos últimos três anos pela empresa SPARK, por encomenda da ANPII, ficou comprovado que em torno de 80% da área de soja é utilizado o inoculante como fonte de nitrogênio para a cultura. É um fato inédito no mundo. Um exemplo da utilização de uma tecnologia antiga, mas que se renovou e atingiu novos patamares de qualidade e retorno financeiro para o meio agrícola.

Mais recentemente, em 2013, foi colocada mais uma valiosa ferramenta nas mãos dos plantadores de soja e feijão:  a coinoculação, ou seja, a utilização de dois inoculantes em conjunto, o tradicional inoculante para soja, à base de bactérias do gênero Bradyrhizobium (ou Rhizobium no caso do feijão) e o produto à base da bactéria Azospirillum.

Este uso associado das duas bactérias tem proporcionado aumentos médios de 16% em produtividade, com um baixíssimo investimento, proporcionando altos retornos para o agricultor.

Embora a técnica do uso conjunto das duas bactérias tenha sido divulgada há poucos anos, sua utilização, pelos excelentes resultados apresentados, vem em um crescendo constante, conforme constatou a pesquisa SPAK-ANPII e a produção de inoculantes pelas empresas da associação.

Em 2018 a utilização da coinoculação abrangeu 15% da área de soja no país e, em 2019 já aumentou dez pontos percentuais, atingindo 25% da área, o que é significativo, atingindo algo em torno de 9 milhões de hectares. Ainda resta muita área a ser coinoculada, mas é certo que o crescimento se dará ainda em patamares ainda maiores, trazendo aumentos de produtividade para um número cada vez maior de agricultores.

No mapa abaixo, pode-se ver o crescimento de 2018 para 2019, embora ainda haja disparidade entre os estados, no que se refere à aderência à tecnologia. Enquanto alguns estados têm um uso acima da média, como Pará e Tocantins que apresentam 80% e 70% respectivamente, Rio Grande do Sul  e Paraná estão com apenas 11%. O paradoxal é que o RS é o berço da inoculação da soja, com as primeiras pesquisas sobre o tema, as primeiras seleções de cepas da bactéria e a primeira fábrica de inoculante no país, e o Paraná seja o berço da coinoculação, cujos primeiros trabalhos foram desenvolvidos pela Embrapa Soja, em Londrina. Será a máxima de que “santo de casa não faz milagres”?

Mas temos certeza que os resultados que demonstram claramente que a coinoculação é uma ferramenta de alto valor, com consistência nos resultados, e com o “boca a boca” divulgando o sucesso de sua utilização, irá elevar substancialmente os números acima, levando sua utilização aos níveis hoje mostrados para a inoculação tradicional, com apenas um inoculante.

A ANPII vem desenvolvendo contínuas ações para divulgação da coinoculação, através de artigos, de participação em seminários, de comunicados, com todos os meios de comunicação à disposição para levar informações que auxiliem o agricultor a aumentar sua produtividade.

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